Depoimentos sobre Márcia

 

Marcelo Cerqueira – Historiador

O historiador Marcelo Cerqueira, presidente do Grupo Gay da Bahia, fala sobre a atuação da empresária na cidade. “Márcia Franco introduziu em Salvador as novidades em relação às tendências em música eletrônica, coisas que aconteciam no resto do mundo e ela ia buscar e trazia para o povo de Salvador. Pense fazer isso em épocas analógicas que nem celular havia! Márcia é parte de toda essa revolução LGBT que vivemos e abriu o seu espaço de divertimento para receber pessoas que achavam que viviam sozinhas no mundo. Muita gente a ama por isso, pela Mix Ozone, pelo OFF Club”.

Cerqueira comenta o papel da empresária também para o público LGBT. “Márcia Franco uma grande personalidade da noite baiana LGBT. O Club OFF, recebeu uma geração inteira LGBT, sendo o batismo de fogo de muitos de nós, uma possibilidade de encontrar outras pessoas de namorar e se divertir muito”, afirma o historiador.

 

Beth Dantas – Professora universitária

A professora universitária Beth Dantas, ativista do movimento LGBT há cerca de 30 anos, também recorda ações realizadas pela empresária. “Márcia quebrou paradigmas e estereótipos. Enfrentou o show business e ousou apostar na noite baiana, promovendo a comunidade LGBT numa época em que não havia mídias sociais e que ainda era tabu mencionar ‘boate gay’. Promoveu artistas locais e nacionais: músicos, DJs, Drags, e trouxe para as noites de Salvador o glamour das casas do sul e sudeste do País”, afirma Beth Dantas, que é também membro fundadora do Famílias pela Diversidade.

De acordo com Beth, a empresária Márcia, no seu primeiro empreendimento, Club Mix, lançou CDs de artistas transformistas nacionais e mudou o cenário do centro da cidade. “Era parada obrigatória para quem queria realmente se divertir. Na OFF, Márcia mudou o conceito de boate gay. Investiu no cenário da dance music e na música eletrônica, num ambiente de vanguarda, elevando o Bairro da Barra, sobretudo o Beco da OFF, época sem nenhuma atração, para um dos espaços mais conhecidos e disputados pela comunidade LGBT e pela galera alternativa descolada que buscava diversão e qualidade musical”, lembra a professora e pesquisadora.